20/06/2008

O diário de Anne Frank - Edição definitiva

"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda"


Dois dias e 349 páginas: eis a combinação perfeita para a leitura d' O Diário de Anne Frank - Edição definitiva (Record, 2008). Presente de meu pai, (em 12 de junho, coincidente com a data de início da escrita de Anne, em 1942), esta edição foi organizada por Otto Frank (pai) e Mirjam Pressler e se diferencia pelas fotos e textos inéditos do diário mais lido e comentado de todos os tempos.
Os relatos impressionam pela fluidez e simplicidade, descobrimos ali uma menina de 13, 14 e 15 anos (o período de escrita se encerra em 01 de agosto de 1944), com ganas de ser jornalista. Anne relata todo o cotidiano de sua vida, inicialmente na escola, nomeando e caracterizando um a um os seus colegas (11 meninas e 16 meninos). Eis alguns exemplos de seus relatos:

"Vou começar dizendo algumas coisas sobre minha escola e minha turma, começando pelos alunos.
(...) E.S. fala muito e não é divertida. Vive mexendo no cabelo da gente ou tocando em nossos botões quando pergunta alguma coisa. Dizem que ela não me suporta, mas não ligo, porque também não gosto muito dela. (...)
J.R. - eu poderia escrever um livro inteiro sobre ela. J. é uma fofoqueira detestável, furtiva, presunçosa e de duas caras, que se acha muito adulta. Ela realmente enfeitiçou Jaque, e isso é uma vergonha. J. se ofende à toa, chora pela menor coisa e, além de tudo, é terrivelmente metida. A Srta. J. tem sempre de estar certa. Ela é muito rica e tem um armário cheio com os vestidos mais adoráveis, que são adultos demais para a sua idade. Ela se acha linda, mas não é. (...)
Hanneli Goslar, ou Lies, como é chamada na escola, é meio estranha. Geralmente é tímida - expansiva em casa, mas reservada quando está perto de outras pessoas. Conta para a mãe tudo que a gente diz a ela. Mas ela diz o que pensa, e ultimamente passei a admirá-la um bocado.
Nannie van Praag-Sigaar é pequena, engraçada e sensível. Acho que ela é bacana. É bem inteligente (...)" (páginas 13 e 14).

Quanto aos meninos, Anne também tem as suas definições:

"Há muito a dizer sobre os garotos, ou talvez não muito, afinal de contas.
Maurice Coster é um de meus muitos admiradores, mas é uma tremenda peste.
Sallie Springer tem uma mente imunda, e correm boatos de que ele já fez de tudo. Mesmo assim, acho que ele é fantástico, porque é muito engraçado. (...)
Harry Schaap é o garoto mais decente de nossa turma. Ele é legal.
Werner Joseph também é legal, mas as mudanças que vêm acontecendo ultimamente fizeram ele ficar quieto demais, por isso parece chato (...)" (páginas 15 e 16).

Em seguida, Anne passa a relatar sobre os tempos difíceis para os judeus moradores da Holanda e no dia em que a irmã Margot é convocada pela SS, a família decide se esconder no Anexo, juntamente com outra família. A partir de então as descrições do lugar secreto, das relações interpessoais entre os desconhecidos e entre mãe, pai e irmã de Anne mostram as dificuldades, as surpresas, as alegrias e as tristezas daqueles tempos difíceis. Junte-se a isso os longos relatos desentendimento com a mãe, o florescimento da paixão, as rivalidades com a irmã, o encanto e desencanto com o pai, os sonhos para o futuro e temos um enorme documento sobre essa menina, brilhantemente escrito. Leitura mais do que recomendada!

Abaixo, fotografias de Anna Frank dos 6 aos 13 anos.

2 comentários:

Lu Geiger disse...

Eu o li numa versão do Círculo do Livro, mas fiquei curiosa com a bela apresentação dessa edição a que te referes...
Compreender as grandes guerras e os infinitos desdobramentos do que é ser humano é fantástico através de obras como essa e como a escrita por Viktor Frankl...
Beijos, querida! Boas leituras!

Suzana disse...

oi, amiga! O livro é realmente algo e assim que ele passar pelas várias mãos que o pediram emprestado, passo a ti tb! Quero te falar também sobre a viagem e sobre os livros que poderei te emprestar durante um ano! Mil beijos