25/01/2008

The catcher in the rye


Outra dica cultural - agora um pouco mais integral! - de leitura para o mês de férias... "O apanhador no campo de centeio" (1943, data da publicação original), clássico da literatura norte-americana, do autor Jerome David Salinger. A capa do livro já está bem mais "moderna", mas a do exemplar que estou lendo é exatamente esta que aparece na imagem, livro retirado na biblioteca da Educação da UFRGS e comprado em 1972. Sem muitas palavras, a não ser aquelas do próprio autor, no capítulo 17 do livro, em que invoca as memórias de Holden Caulfield sobre suas visitas ao Museu de História Natural de New York:

"Mas a melhor coisa do museu é que nada lá parecia mudar de posição. Ninguém se mexia. A gente podia ir lá cem mil vezes, e aquele esquimó ia estar sempre acabando de pescar os dois peixes, os pássaros iam estar ainda a caminho do sul, os veados matando a sede no laguinho, com suas galhadas e suas pernas finas tão bonitinhas, e a índia de peito de fora ainda ia estar tecendo o mesmo cobertor. Ninguém seria diferente. A única coisa diferente seríamos
nós. Não que a gente tivesse envelhecido nem nada. Não era bem isso. A gente estaria diferente, só isso. Podia estar metido num sobretudo, dessa vez. Ou o outro garoto, companheiro de fila da visita anterior, não tinha vindo porque estava com caxumba e a gente teria outro companheiro. Ou então a substituta de Miss Aigletinger é que estaria levando a turma. Ou então a gente tinha ouvido o pai e a mãe da gente terem a maior briga no banheiro. Ou então a gente tinha acabado de passar, na rua, por uma poça d´água com um arco-íris de gasolina dentro dela. Quer dizer, a gente estaria diferente, de um jeito qualquer - não sei explicar direito, mas o negócio é assim mesmo. E, mesmo que soubesse, acho que não ia ter muita vontade de explicar."
(SALINGER, 1969, p. 105-106).


Esse post está escrito em homenagem ao Cristiano, meu irmão, que, além de memórias, tem vivências pra contar sobre aquele museu.

2 comentários:

Criso disse...

ser (ou estar) diferente, é bom?

Diários de uma viagem disse...

I don´t know, I guess yes... mas também não sei explicar porque... e se soubesse, não iria querer explicar aqui... hehehe! Kisses!